domingo, 10 de junho de 2018

Reflexão da Brevidade

Tenho 20 anos,
são 20 translações da Terra,
20 anos de pores de sol,
20 anos de noites estreladas,
pois mesmo quando se cobriam com nuvens,
elas permaneciam lá.

20 anos de sonhos,
e se os anos fossem somados por sonhos,
eu já teria 20 mil.

Tenho 20 anos de dores,
em todos anos senti,
mas junto somo os 20 anos de alegria,
momentos calorosos que nem mil eras de gelo apagariam.

20 anos de cores,
de azul, amarelo e vermelho carmin,
do verde das folhas,
que nunca me falharam um dia.

20 anos de pessoas,
que amei, que odiei, que perdi,
que fui perdoada e perdoei,
que admirei em silêncio,
que amei escandalosamente.

20 anos não deveriam ser chamados de idade,
mas de quanto tempo vivemos na Terra
enquanto ela ainda girava,
carregando consigo todo esse universo de vida
que aproveitamos de forma tão efêmera
quando paramos para pensar em quantas vezes ela já completou suas voltas
em torno do nosso astro.

Em 20 anos penso que já vi muito,
que já senti muito,
que vivi muito,
mas para este imenso mundo
e para a eternidade do universo,
sempre será muito pouco.

Mas não existem limites para os sonhos,
eles transcendem a nossa breve existência,
eles alcançam as estrelas...



 Há quem diga que sensibilidade é uma fraqueza. Mas a sensibilidade é resistência, como as plantas que nascem no concreto, flexíveis, resilientes. Pequenas, porém é exigido muito para que se desenvolvam, mesmo assim elas estão aí, onde não deveriam estar, existindo, resistindo, germinando, subversivamente, entre os sulcos do concreto. .
 Podem pisar nessas plantas ou arrancá-las, mas não podem tirar o sol que as envolve, nem a chuva que as rega, assim, elas seguem florescendo, obstruídas, mas veementemente fixando suas raízes consistentes no cimento maciço, reafirmando sua existência nos solos mais inóspitos dessa realidade hostil. 
 A sensibilidade sempre será a maior força que alguém pode ter em um mundo de pedra. E é dessa maneira que eu sigo florescendo. 



 Eu preciso escrever,
 Eu escrevo para reafirmar minha existência,
 Para ter certeza que ainda estou aqui, que ainda vivo, que ainda ardo.
 Escrevo para me salvar,
 Para me certificar que não fui tragada pelo marasmo da rotina,
 Que não tive meus sonhos triturados pelas frustrações das minhas fantasias pueris,
 Ter a certeza que meus ideais ainda me conflagram.
 Eu escrevo, eu preciso escrever,
 Preciso para sobreviver, Não sei sobreviver neste mundo de outra forma que não a escrita,
 É tão vital quanto a respiração,
 Mas na escrita quem respira é a alma.
 Quando deixo de escrever, sinto que estou morrendo
 E se eu não voltar, não há máquina ou medicamento capaz de me salvar
 Do tormento que é perder a própria identidade
 E não saber mais quem se é
 Por mais que quem tu sejas
 Seja alguém confuso e conturbado,
 Sempre melhor do que uma mente vazia
 Ou ocupada pelas vaidades superficiais
 Que nunca me fizeram sentido.
 Se algum dia eu parar de escrever
 Vocês já podem saber que eu não vivo mais,
 Mesmo que a minha presença física ainda se faça,
 Minha alma e minha essência se desvaneceram
 E o que de mim resta é apenas essa ordinária carcaça funcional,
 Que perambula pelas ruas sem saber o porquê,
 Que eu tanto abomino,
 Que eu tanto fujo,
 E um dos meus únicos refúgios
 É escrever.
 Eu ainda existo, eu ainda estou aqui... 

 Preciso saber que ainda respiro.