quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Lacrimosa

 Insólita, ela vaga em si
 Os ventos gélidos congelam seus prantos
 Para que eles permaneçam eternamente em sua pálida derme

 Em sua nuvem de lamentos
 Lacrimosa, vulgar em sua noite
 Seu corpo despido, com curvas de poesia rimada
 Chora suas dores para o céu sem estrelas

 Seu corpo lasso dançante
 Em sua lânguida indulgência
 Sonhos aturdidos, desejos inconsequentes
 Não há lugar para o imaculado
 Em seu destemido ventre

 Lacrimosa, o opróbrio
 Nem o homem mais sóbrio
 Deixou de apedrejar suas dores
 Lacrimosa, eles dizem, a dama sem amores

 Mas ela não teme a morte
 Lacrimosa, mãe de suas lamúrias
 De uma alma violada
 Pelos homens e suas injúrias

 Ela não teme a morte
 Tudo o que havia de vívido em si já pereceu
 Sua carcaça de lamentos
 Fomentada por tormentos
 De uma vida que não viveu

 Sua liberdade foi arrancada
 De seu seio sedento
 Seus amores foram esmagados
 Pelos ávidos punhos de quem nunca entenderá
 Uma mulher com seus próprios sacramentos

 Lacrimosa, a lua te chama
 A buscar tua ébria liberdade
 Teu seio de leite, de vida
 De mulher
 Na terra de Eva serás absolvida
 Com todas as outras
 Que já padeceram da mesma dor incompreendida


domingo, 8 de outubro de 2017

Perguntaram-me o que eu queria ser, e eu respondi: simples

 Na escola, numa aula de filosofia ou sociologia, não vou conseguir lembrar agora, foi feita uma pergunta a nós, alunos, sobre o que gostaríamos de ser e como queríamos que as pessoas nos vissem. Eu respondi: simples.

 Muitas das respostas eram: "quero que me vejam como alto astral", "animada", "altruísta" etc Muitas respostas que eu também gostaria de poder dar. Mas como só era possível uma única resposta, eu disse: simples.

 Lembro de alguns olhares sem entender e se me recordo bem, até algumas risadas. Apesar disso, o professor gostou da minha resposta e me apoiou, dando uma explicação dele sobre o significado de simples que me deixou mais confortável com a minha resposta.

 Eu havia esquecido desse episódio. Estava na "lixeira" da minha memória, quase a ser totalmente apagado. Porém, a vida me fez relembrar disso, e eu sorri, porque eu precisava lembrar disso.

 Eu me mudei para Porto Alegre esse ano, passei na UFRGS em História, coisa que jamais pensei que fosse acontecer. Eu fiquei muito feliz no início. Minha mãe dizia que desde nova eu queria ir pra longe, o mais longe, era Porto Alegre e depois o mundo! Nada de ficar na minha cidade, cidade pequena.

 Eu meio que desprezava, de muitas formas, o local em que nasci. Admito, eu fui esnobe, e me orgulho em dizer que reconheço isso e consegui trabalhar isso em mim, mas tive que passar por alguns baques.

 Eu sempre dizia que não havia nada aqui para mim. Eu cresci me sentindo deslocada aqui, gostava de coisas que não conhecia ninguém que gostava. Tinha amigos, mas mesmo assim não me sentia tão incluída porque não gostava dos mesmos assuntos e era difícil de me encaixar. Tem muito conservadorismo sim, cabeças fechadas e mania de julgar os outros, outra coisa que eu sempre detestei. Mas nunca parei pra pensar nas pessoas daqui, que algum dia, já tiveram alguma forma de admiração por mim ou que eu já admirei.

 Eu fui para Porto Alegre. E eu amei Porto Alegre. E eu odiei Porto Alegre. Eu amei a diversidade, eu amei as oportunidades, eu amei a militância mais forte, eu amei as noites boêmias, eu amei os protestos com centenas de milhares de pessoas. Mas eu odiei. Eu odiei sair pela Porta do meu AP e ver todas as manhãs, pessoas passando fome e frio, deitadas na porta do meu apartamento. Eu odiei passar por milhares de pessoas com semblantes fechados, robóticas, apressadas, estressadas, que pareciam usar aqueles acessórios de cavalos de corrida para tapar a visão periférica e apenas seguir em frente, no único caminho que lhes foi dado. Eu odiei o medo por conta da violência, gerada pela desigualdade. Eu odiei não receber nenhum bom dia caloroso de um desconhecido, que seja. Eu odiei as vezes em que pedi informação e foram mal educados comigo. Ou as inúmeras vezes em que os motoristas do Uber logo percebiam que eu não era de lá porque eu era educada, dava um bom dia ou até mesmo, conversava com eles, porque as pessoas de lá não fazem isso. Eu odiei ir nos estabelecimentos e ver tanta má educação e falta de empatia das pessoas. Eu odiei ver uma gari, entrando em uma lanchonete, suada depois de trabalhar o dia inteiro na rua e debaixo do sol, entrando numa lanchonete e pedindo, gentilmente um copo de água, falando: eu pago, eu pago. Com a insegurança de que, preconceituosamente, lhe negassem a água.

 Eu sorria e meu coração enternecia para cada momento de simplicidade que eu conseguia vivenciar naquela cidade. Eu vi que havia bondade, apesar de tudo, mas eram poucos momentos de bondade, para muitos de individualismo. Como nos ônibus lotados de Porto Alegre, comum de ver jovens sentados em bancos, enquanto pessoas necessitadas de assento ficam em pé tentando se equilibrar, e quando elas deslizavam e as pessoas ficavam carrancudas, elas pediam desculpa.

 Uma coisa que quase me fez chorar foi em um ônibus. Ele não estava tão lotado quando entrei, haviam lugares disponíveis, mas logo depois foi enchendo e então entrou uma senhora com uma bandana na cabeça (pensei na possibilidade dela ter tido câncer), saia florida e olhar gentil, com sacola de mercado. Eu logo ofereci meu banco para ela e ela disse que não precisava pois "estava acostumada a caminhar e a ficar em pé", falou isso sorrindo. Eu insisti, ela cedeu e sentou no meu lugar. Me agradeceu, de forma extremamente sincera e gentil, e se ofereceu para segurar a minha bolsa da Frida, que eu levava pra faculdade. Disse que não precisava pois era leve. Ela disse que tudo bem, sorrindo, e se acomodou no assento. Aquilo me fez muito bem, olhei para o outro lado e não chorei porque segurei as lágrimas.

 Era abordada frequentemente por mendigos e sempre que eu tinha dinheiro, eu dava. Eu não sou a pessoa com mais condições para sair distribuindo notas, mas eu sabia que elas precisavam mais do que eu. Então virou frequente demais. Para ir no mercado, três quadras caminhando do meu ap, eu era abordada por três pessoas ou mais. Percebi que em dois dias, havia dado mais de 30 reais como esmola. Mas no outro dia, eles continuavam lá, com fome, desnorteados. Meu dinheiro para eles era efêmero e eu percebi que eu não podia mais continuar fazendo isso com tanta frequência pois, apesar de tudo, eu sei que o dinheiro que eu possuo é oriundo dos calos nas mãos dos meus pais e eu sei o quão difícil é para eles conseguirem também.  E minha esmola não solucionaria o problema da desigualdade no país, um problema estrutural e social, sustentado pelo sistema capitalista.

 Eu tava sendo sugada, constantemente. Era triste. Olhava para um lado e via uma mulher bem vestida, entrando em um carro do ano. Olhava pro outro e via uma mulher deitada na entrada de um mercado, suplicando por algo para comer. Eu estava completamente impotente.

 Eu precisava sobreviver. Porto Alegre era o que eu sempre quis, e a UFRGS? Quem não sonhava com a UFRGS? E eu não podia mais voltar atrás, seria como regredir, era vergonhoso, voltar para a linha de partida? Era um misto de orgulho e ao mesmo tempo, a necessidade de sobreviver, por esse orgulho.

 Então tentei entrar no automático, mesmo que não dê realmente certo para mim, eu precisava. Andava na rua como aquelas pessoas que antes me assustavam. Ignorava tudo ao meu redor. Eu só queria chegar até a parada de ônibus, e da parada de ônibus até a faculdade, e da faculdade para o meu quarto, onde eu não precisasse estar no meio disso. Eu estava me tornando mecanizada, e ao mesmo tempo em que isso me deixava mais confortável de certa maneira (apatia), me assustava muito.

 Ver pessoas dormindo cobertas de papelão na minha porta se tornou "normal". Eu tentava ignorar, não deixar que essas coisas me afetassem mais. Eu achei que conseguiria, eu fui indo, continuei, tentei.

 Me peguei trancada no meu quarto grande parte do tempo, desanimada. Dormia para o tempo passar. Estava depressiva. Não estava gostando da minha faculdade (eu queria muito Biologia), sou péssima para me adaptar às exigências acadêmicas e burocráticas da vida social, e apesar de eu ter feito várias amizades, cada um tinha sua vida e eu me sentia muito sozinha, tinha medo de sair sem companhia. Um choque de realidade pra mim. Eu não conseguia me acostumar. Me senti deslocada, novamente.

 Nasci em uma cidade pequena. Quando eu falava dela pras pessoas que conheci em POA elas não acreditavam no tamanho dela. Algumas me diziam "nossa, deve ser horrível", e eu concordava. Mesmo que no fundo, não, eu não concordava.

 Minha experiência em Porto Alegre foi totalmente necessária para abrir meus olhos, expandir minha percepção de mundo e aumentar minha bagagem. Me deixou mais humilde, menos esnobe e mais grata. Grata com o lugar onde eu nasci, as pessoas que cresceram comigo e a família que me criou.

 Nunca fui muito de família. Nas férias, quando mais nova, ficava longe dos meus pais às vezes por meses, e nem sempre gostava de voltar. Sempre fui muito independente e me orgulhava disso, achava que minha independência poderia ser questionada (por mim mesma) se eu continuasse perto da minha família. Achava que minha liberdade estava o mais longe de onde eu nasci. Achava que minha felicidade estava o mais longe de onde cresci. Em lugares distantes, em pessoas distantes...

 Eu fiquei distante. E lá, percebi que as pessoas eram distantes, mesmo quando estavam ao meu lado, em um ônibus lotado. Em suas bolhas, em suas realidades, em suas necessidades de sobrevivência. Como engrenagens de uma grande máquina, robóticas, automáticas, mecanizadas. Era desumano, e as pessoas precisam disso para sobreviver, pois é o sistema. Realmente quero que isso mude, e farei o que estiver ao meu alcance pra tentar melhorar isso, mas me desculpem, eu não consigo ser cúmplice, talvez eu me dê mal mesmo, não consiga sobreviver, não saiba lidar, talvez eu desabe, mas não penso que preciso seguir o sistema para lutar contra ele.

 Eu tentei, eu me esforcei, talvez eu não seja tão forte quanto eu pense. Mas isso não fez eu me sentir mal, não era essa força que ia me deixar verdadeiramente bem. Então eu voltei, de uma hora pra outra e vi que, minha felicidade e minha libertação não tinham nada a ver com o lugar em que eu estava, pois eu fui pra longe e não me senti livre ou feliz apenas por conta disso. Eu não estava bem, por que continuar? Por mero orgulho, teimosia, querer provar algo? Pra quem? De que adiantava, eu não estava feliz e eu não sei mentir pra mim mesma e nunca tive a necessidade de provar algo pras outras pessoas.

 Eu voltei pro mesmo lugar de que saí. Mas eu voltei e vi minha cidade com outros olhos, as pessoas com outros olhos, eu estava com uma mentalidade completamente diferente.

 Uma das coisas que mais senti falta em Porto Alegre era a simplicidade das pessoas daqui, as pessoas do interior, daquelas pessoas com o suor escorrendo na testa e com os calos nas mãos, mas que agradecem, todos os dias, pela vida que possuem, pela comida que comem, pela casa em que moram. Pois apesar de todo o desgaste físico, não há tanto o desgaste psicológico como havia lá. São pessoas que trabalham demasiadamente, reclamam pouco e agradecem muito, enquanto nós, estamos reclamando por tudo e pouco agradecendo as oportunidades que nos são dadas, sendo que são oportunidades que é uma minoria dos brasileiros que as possuem. Nunca nada nos é suficiente, tudo que conquistamos, que muitas vezes nos é dado, não agradecemos, e quando alguma coisinha não vai bem, tratamos isso como se a vida fosse injusta para nós...

 Eles não são tentados o tempo todo, bombardeados por falsas ilusões materiais capitalistas (como até eu mesma sou) ao andar nas ruas de uma metrópole. Eles são... simples. Eles sabem que não precisam de tudo aquilo para ser feliz, eles sabem, como muitos não sabem, eles não desejam isso, a maior ambição deles é ver seus próprios filhos bem, felizes, é poder acordar bem amanhã para poder usufruir de todas as coisas boas que a vida lhes oferece, sejam elas simples. Eles entendem que, substancialmente e essencialmente, a vida em si é simples. O material muitas vezes não é necessário, o conforto não é felicidade, a estabilidade não é só financeira. Eles se orgulham de seus trabalhos, eles se orgulham de seu suor, eles se orgulham de onde vivem, do que comem, do que eles conquistaram, da família que eles criaram, eles agradecem todos os dias por elas, pois o pouco e o insuficiente pra nós, pode ser a felicidade deles.

 E mesmo que sim, há muito conservadorismo aqui, não são pessoas efetivamente ruins. Talvez eles não tenham tido acesso às informações ou até mesmo, contato com outras realidades para poder se aprimorar nessa questão mais política. Mas sempre que alguém aqui passa alguma necessidade, todos se juntam para ajudar. Há uma bondade e uma compaixão, um acolhimento de um com o outro, até mesmo com pessoas não muito próximas. Havia muito conservadorismo em POA também, cabeças fechadas, discursos de ódio, julgamentos, pessoas que tiveram todo o acesso à informação e têm contato com diferentes realidades, mas mesmo assim, se negam em humanizar e ampliar suas visões. Prova de que nem sempre a informação é eficiente, pois quando a sabedoria falha...

 E sabedoria é uma coisa bem recorrente nas pessoas do interior, principalmente pessoas mais velhas. Eu poderia sentar com um senhor velhinho de chapéu de palha, numa varanda em uma tarde de verão, e ouvi-lo contar suas histórias nostálgicas sobre as suas antigas peripécias, que casualmente fazem alguma lágrima escorrer em suas bochechas marcadas pelo tempo, ouviria sobre todo o seu conhecimento empírico o dia inteiro, sem pausas... Também uma senhora, que com seus mais de sessenta anos ainda carrega sacos de milhos e corta lenhas para o fogão, como muitas mulheres fortes e guerreiras do interior, ouço-a falar sobre como ela sonhava em estudar, sobre ela caminhar quilômetros para ir para a escola, consigo enxergar o mesmo brilho em seus olhos que de uma criança sonhadora.

 O que nós aprendemos através de livros, muitas vezes eles aprendem na prática, na experiência, na vivência, eles têm o contato com esse conhecimento, nós apenas achamos que sabemos. Sinto-me uma completa ignorante, uma pessoa cheia de informações, mas ignorante pra vida, quando escuto uma pessoa simples falar. Sinto que, me preocupo pelas razões erradas, reclamo por coisas fúteis, procuro a felicidade nas coisas erradas, não agradeço por todas as coisas boas que tenho, não reconheço todos os meus privilégios e oportunidades... Temos muito o que aprender com as pessoas simples. Eu havia esquecido disto.

 Nas noites quentes, quando uma grande família e seus vizinhos se reúnem na varanda, onde os vaga-lumes brilham lá fora e os grilos cantam, eu escuto os causos, as risadas soltas, as dificuldades passadas, as brincadeiras... uma felicidade tão pura, e tão simples... Algum toca gaita, outro é o piadista, outro passou por uma dificuldade e isso vêm à tona e todos dão suporte e demonstram total apoio, algumas crianças brincam lá fora, tentando pegar os vaga-lumes... Eu fico no meu canto, ouvindo, rindo junto, talvez não com a mesma intensidade, porque eu sei que eu não sou uma pessoa simples, por mais que eu gostaria de ser. Fico deslumbrando aquela simples, porém intensa degustação da vida. Lembro da minha infância, no interior, com meus parentes, onde o trabalho de espetar fumo debaixo de um galpão era divertido, várias pessoas embaixo de um galpão antigo no meio de um potreiro esverdeado, contando piadas, conversando, rindo enquanto tomávamos caldo de cana que meus tios haviam plantado... Queria recuperar isso... Acho que não sou sábia o suficiente, ou já esteja socialmente corrompida, mas é difícil para eu viver a vida de maneira tão pura, simples, honesta e singela... Eu os admiro tanto, sinto que talvez nunca consiga sentir a gratificação de estar viva como eles sentem.

  Eu queria voar, voar para longe, achei que minha liberdade e minha felicidade sempre estariam para lá do horizonte, no mais longe possível. Eu estava errada. Foi aqui que eu criei asas, foi aqui que eu aprendi a ser feliz, foi aqui que eu tive todo o apoio e amor do mundo. Eu ainda quero voar longe, mas hoje aprendi a ser mais grata e reconhecer o que me proporcionou isso.

 Eu não sou simples, mas coisas simples me fazem feliz. Eu não sou simples, mas ainda quero ser, mesmo que eu nunca seja, vou sempre ser guiada pelas pessoas simples. Sei que não permanecerei aqui, ainda quero ir longe, não adianta, eu tenho asas grandes e é quase uma necessidade para mim (é, não sou simples mesmo), mas eu vou sempre olhar para trás, eu vou sempre voltar também, eu vou sempre agradecer e admirar as pessoas do lugar de onde eu vim e agradecer tudo o que a vida me ensinou aqui. Quero poder carregar, nem que seja um pouco, da simplicidade dessas pessoas fortes, honestas e gratas daqui, que provam do mel mais doce da vida: a vida, nua e crua, em sua essência. A felicidade, não em sua plenitude, mas em seu cerne.

Fotografia de minha autoria.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A Celebração da Dor



De nada adiantaria
Mil sóis que brilham sobre um dia
Em que a branda calmaria
Paira sobre minha palidez inóspita

Por mais fresca que a brisa seja
O tumulto que ferve em meu coração não se enseja
Por mais forte que os ventos soprem
Minhas folhas secas não caem
Apodrecem em seus sonhos aveludados
E devagarinho se esvaem
Em seus devaneios esgotados

Nas planícies das minhas forças
Eu rastejo
Nas montanhas das minhas dores
Eu festejo

Insisto em manter ao meu lado
O sal grosso que penetra calado
Nas minhas mais expostas feridas

E às noites sinuosas
As vozes arrastadas que sussurram no morno silêncio
Apressadas em me dizer
"algo há de acontecer"
Recolhem-se abruptamente ao amanhecer

E eu recomeço minha celebração
Dos mil sóis que não brilham
Em minha existência mortal
Onde busco inspiração
No dilúvio dos meus sentimentos
Aonde sopram os triunfantes ventos
Da minha mais tenra canção