quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Idiossincrasia

A poesia me descarna
Me desnuda
Arranca de mim os beijos mais quentes
E as dores mais agudas
A poesia me excita
A poesia me enraivece
A poesia me sente 
A poesia me consente
Ela me lê 
Cada átomo do meu corpo
Ela prescreve 
Cada hormônio, cada neurônio 
Cada anticorpo
Cada fisiologia, cada filosofia
O que me faz humana
O que me faz mulher 
Eu sou a minha poesia 
A poesia dos românticos 
Dos boêmios, dos físicos quânticos
E das mulheres que reconstruíram em acrasia
Só me restará a carne

Se tirares de mim a poesia

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Dissociação

Olho meu reflexo difuso no espelho
Eu já não me reconheço mais
Meus lábios que eram tons de vermelho
Estão sedentos de cores
Meus traços se misturam na minha face
Escondidos, timidamente, atrás das dores
Não leio mais minhas linhas 
Não sinto mais meus sabores 

Já não sei mais como eu era
Sem as pálpebras inchadas pelos prantos
Que escorrem pela minha face ardida
Procurando resquícios em quaisquer cantos 
De uma alma já perdida 

Eu sei quem eu era
Sei como eu seria
Mas me perdi 
Como um paradoxo complexo
Perdi-me, em meu próprio reflexo 
Procurando nele

A euforia 

domingo, 10 de junho de 2018

Reflexão da Brevidade

Tenho 20 anos,
são 20 translações da Terra,
20 anos de pores de sol,
20 anos de noites estreladas,
pois mesmo quando se cobriam com nuvens,
elas permaneciam lá.

20 anos de sonhos,
e se os anos fossem somados por sonhos,
eu já teria 20 mil.

Tenho 20 anos de dores,
em todos anos senti,
mas junto somo os 20 anos de alegria,
momentos calorosos que nem mil eras de gelo apagariam.

20 anos de cores,
de azul, amarelo e vermelho carmin,
do verde das folhas,
que nunca me falharam um dia.

20 anos de pessoas,
que amei, que odiei, que perdi,
que fui perdoada e perdoei,
que admirei em silêncio,
que amei escandalosamente.

20 anos não deveriam ser chamados de idade,
mas de quanto tempo vivemos na Terra
enquanto ela ainda girava,
carregando consigo todo esse universo de vida
que aproveitamos de forma tão efêmera
quando paramos para pensar em quantas vezes ela já completou suas voltas
em torno do nosso astro.

Em 20 anos penso que já vi muito,
que já senti muito,
que vivi muito,
mas para este imenso mundo
e para a eternidade do universo,
sempre será muito pouco.

Mas não existem limites para os sonhos,
eles transcendem a nossa breve existência,
eles alcançam as estrelas...