quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A Celebração da Dor



De nada adiantaria
Mil sóis que brilham sobre um dia
Em que a branda calmaria
Paira sobre minha palidez inóspita

Por mais fresca que a brisa seja
O tumulto que ferve em meu coração não se enseja
Por mais forte que os ventos soprem
Minhas folhas secas não caem
Apodrecem em seus sonhos aveludados
E devagarinho se esvaem
Em seus devaneios esgotados

Nas planícies das minhas forças
Eu rastejo
Nas montanhas das minhas dores
Eu festejo

Insisto em manter ao meu lado
O sal grosso que penetra calado
Nas minhas mais expostas feridas

E às noites sinuosas
As vozes arrastadas que sussurram no morno silêncio
Apressadas em me dizer
"algo há de acontecer"
Recolhem-se abruptamente ao amanhecer

E eu recomeço minha celebração
Dos mil sóis que não brilham
Em minha existência mortal
Onde busco inspiração
No dilúvio dos meus sentimentos
Aonde sopram os triunfantes ventos
Da minha mais tenra canção


domingo, 21 de maio de 2017

Insônia

Esta noite eu não durmo.
Prefiro não dormir.
É tão angustiante deitar a cabeça no travesseiro e logo adormecer.
Consciência leve?... Ou vazia...
Não, hoje eu não durmo.
Hoje eu me deleito nos meus pensamentos turbulentos, profusos, inconstantes...
Entro em êxtase, no meio da madrugada, deitada na minha cama.
Não quero dormir, não quero deixar de pensar, não quero deixar de sentir.
As palavras vão me seduzindo e eu vou aliciando os pensamentos, se torna algo perturbador de certa forma, são tantos pensamentos... Porém, é tão prazeroso.
É tão prazeroso sentir demais, pensar demais, duvidar demais, questionar demais, acreditar demais, amar demais, é tão prazeroso... Se sentir viva.
E então, na madrugada, estou deitada em minha cama, enquanto minha mente está transcendendo o meu quarto, a minha rua, a minha existência física...
Sempre tenho vontade de me levantar, nem me trocar, simplemente abrir a porta e sair. Sair para onde meus pés, minha mente, meus sonhos, meus ideais me guiarem. Sentir a dor em se viver, o medo, as dificuldades, as lutas, os amores, as certezas, as inverdades, os prazeres, as liberdades...
Simplesmente sair... mas me sinto presa ao meu corpo.
Dentro da minha mente é como se eu fosse irrefreável, nada me segurasse, um apetite voraz pela vida, pela emoção, pela luta. Mente selvagem, incansável. Porém meu corpo... Quando chego nele, é como se estivesse presa a ele, minha essência, minha mente estão presas a eles, como se elas não pudessem ir além dele... Impotência. Consigo sentir, consigo pensar, não consigo fazer...
Enquanto minha mente tramita as ideias mais remotas da existência, meu corpo lasso permanece inerte.
Já me disseram que tenho olhos inquietos. É como se pudesses me ver sentada, no meu canto, soturna, porém, se olhares para os meus olhos verás neles a inquietude da minha mente, mesmo quando permaneço calada. Enquanto estou quieta, olhando, observando, não sinto tanto a serenidade, bom, às vezes até gosto dela, aprecio-a, ela me conforta... Mas eu gosto mesmo é do êxtase, é de virar a noite de tanto ponderar sobre as coisas. De tanto esmiuçar meus sentimentos. De tanto tentar sentir a minha existência.
Esta noite eu não durmo.
Não quero descansar minha mente quando o que ela mais quer é estar desperta, e não apenas fisicamente desperta.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Perspectivas

Eu sou uma pessoa nada pés no chão.
Gosto de imaginar mesmo, em como as coisas são mas ainda mais em como poderiam ser...
Pensar tão profundamente e acabar me perdendo em meus próprios pensamentos, absorta em meus solilóquios.
Sonhar alto, além das nuvens, para as estrelas, para outras galáxias, dimensões.
Sonho de infância (secretamente atual): ser astronauta.
Distraída talvez, mas não por mal, porque as coisas me fascinam, principalmente as coisas simples, tão fácil eu me perder em uma conversa... "Desculpa, o que você disse?", Não que eu não ache o que você fala interessante, pelo contrário, adoro ouvir as pessoas, principalmente quando elas falam sobres seus sentimentos, seu intrínseco... Mas olhe aquela nuvem, ela parece um golfinho, talvez eu nunca mais possa ver isso novamente... Ou aquela borboleta, aonde ela vai? Aonde ela pousa? Ela parece tão... Leve.
Ahh, já fugir do assunto, ou não, ahh do que eu estava falando mesmo? Ah sim, pés no chão, centrada, concentrada, focada... Ah sim, bom, não me orgulho de não ser assim sabe, ainda mais quando as pessoas tratam isso como algo negativo.
"Eu vivo sempre no mundo da lua..." Cantavam isso pra mim na escola, mas só essa parte... Eu comecei a gostar quando ouvi o resto da música.
Mas enfim, não gosto de esconder sentimentos, gosto de me cativar com as coisas simples da vida, a aula tá super bacana, mas aquele vento lá fora, batendo nas folhas sabe, aquelas duas pessoas se abraçando forte... Isso faz eu me sentir... Viva. E eu gosto de me sentir assim. Sou uma caçadora de sensações.
Talvez eu não tenha os pés no chão mesmo, não sei, isso é bem relativo...
Porém, acho que foi isso que me permitiu voar...
Tentem ver as coisas de outras maneiras também, com uma perspectiva de cabeça nas nuvens  talvez... não precisa se culpar ou se reprimir. Vou contar um segredo pra vocês: ver as coisas de outra perspectiva é... Extraordinário. Isso te permite voar.