segunda-feira, 1 de julho de 2013

Alma de criança

Já tivemos muitos sonhos quando éramos crianças. Alguns sonhavam em serem astronautas, outros em serem médicos, bombeiros, veterinários, exploradores... O que você queria ser? O que você quer ser? 
Falam que quando crescemos, abandonamos nossos sonhos, nosso mundo, onde tudo era perfeito, bastava imaginar, onde nossas fantasias eram realidade, não importava como acontecessem. A nossa maior dor era dos joelhos ralados e os braços esfolados. Os nossos maiores desejos eram brinquedos. Os nossos maiores medos eram monstros. As nossas maiores alegrias eram assistir desenhos, comer um doce, ganhar um brinquedo. Oh doce e pura inocência, um coração livre de ódio e preconceito, sem ganância, sem rancor, um coração gentil e incapaz de ver diferenças, não importando a raça, religião ou cor. 
Crescemos em uma sociedade concreta, quero dizer, com "leis de padrão", de como se vestir, como falar corretamente, de que isso é errado e aquilo é certo... Crescemos aprendendo, tanto coisas úteis como coisas fúteis, uma criança devia ser ensinada a como compreender o mundo, não apenas como conhecer o mundo, e desde cedo, ela acaba se voltando para o padrão da sociedade.
Muitas vezes uma criança sabe o que é um cachorro, mas não sabe como se trata um cachorro e quais são suas necessidades, pois mesmo pequenos, eles não foram ensinados a compreender o mundo, e muitos, nem quando maiores não compreendem o mundo ao seu redor, chegando ao ponto de não compreenderem a vida.
Eu não pretendo ter filhos, mas se algum dia acontecer de eu ter, eu deixarei qualquer coisa de lado pra atendê-lo, dar atenção à ele e fazê-lo compreender as coisas, ensinar, não apenas a andar, falar, mas a observar, a ouvir, a esperar, a entender, a viver, e o principal, a nunca deixar a gentileza, o amor e a sensibilidade de um coração de criança abandoná-lo.
Chegamos ao ponto. Quando crescemos, abandonamos isso, as coisas começam a ficar mais obscuras. Uma criança enquanto anda pela rua, se encanta ao ver os pássaros, ao ver as árvores e sente dó ao ver um animalzinho de rua, como podem ver, nós nascemos para sermos sensíveis, quando pequenos fomos sensíveis, de alguma maneira ou de outra. O adulto, passa pelas ruas observando as vitrines, desejando todos os dias coisas com preços absurdos, pela qual não pode ter. Muitos ignorando a fome e a sede de animais de ruas, ignoram os pássaros, ignoram o céu, ignoram a simplicidade, ignoram a vida ao seu redor, porém quando eram crianças, isso era bem diferente. As crianças tinham prazer em conhecerem coisas novas, eram curiosas com tudo, queriam experimentar tudo, já os adultos, ignoram o novo, o desconhecido, falta de interesse e apego à rotina.
Por que é assim? Por que perdemos aquela percepção do mundo? Aquela gentileza e aquele sorriso inocente, que não ri da desgraça dos outros, mas sim da felicidade, das coisas boas?
Queria que todas as pessoas pelo menos em um minuto do seu dia, parassem pra pensar em como era sua infância, como pretendiam que suas vidas fossem, o que queriam ser, quais eram os maiores medos e sonhos. Queria que elas se lembrassem das brincadeiras simples, uma ciranda cirandinha era capaz de arrancar risadas de alguém que hoje em dia vive infeliz com a vida.
Eu gosto de perguntar para minha mãe como era a infância dela, para fazê-la lembrar, e quando pergunto isso, ela sempre para para me olhar e sorri, antes dela poder começar a falar, é possível se enxergar saudades nos seus olhos. Uma vez ela me disse uma coisa, que não me esqueço nunca: "Eu queria ser tantas coisas, tinha muitos planos, porém nenhum deles se realizou, mas eu não lamento por isso, eu só devo agradecer, pela minha família e as coisas que conquistei pelo menos com carinho e honestidade, mesmo não sendo muito, conquistei com o meu suor e com as minhas forças, e hoje em dia tenho uma família linda."
Minha mãe... Devo agradecê-la pela educação que ela me deu. Apesar de vivermos brigando hoje, quando eu era menor, ela me compreendia, ela me atendia, ela me sensibilizou e me ensinou o amor e a simplicidade, ela adorava me levar na casa da mãe dela, minha avó, e me ver brincar. Uma das minhas maiores felicidades era poder abraçar animais e correr em meio a natureza...
Esse meu amor pelos animais e pela natureza permanece até hoje comigo, não quero deixá-lo fugir de mim nunca, como meus antigos sonhos, minhas noites imaginando mundos diferentes, acreditando em criaturas mágicas, viajando nos universos fantásticos dentro da minha cabeça. Nunca vou abandonar meu lado inocente de ser criança, minha criança interior, meu modo gentil de ver o mundo, de compreender as coisas e admirar a simplicidade, de não ver diferenças e de aceitar as coisas como são, aceitar a vida... Quando eu era menor, uma das minhas maiores preocupações era que se quando eu crescesse, eu fosse parar de acreditar em magia, eu não quero decepcionar aquela criança de alguns anos atrás, eu sei o quanto aquilo era importante pra ela, e o quanto ainda é. Gostaria que todas as pessoas fossem assim, pois algo que pode mudar mesmo o pensar de uma pessoa, é refletir sobre sua infância. Não importa o quão durão a pessoa seja, há sempre algo no passado com que vamos nos emocionar, de tristeza ou felicidade. 
Muitos hoje esqueceram que foram crianças, esqueceram dos seus sonhos, esqueceram de ter um coração gentil, de aceitar as diferenças e apreciar o simples, discriminam raças e religiões, ignoram a humildade e a simplicidade, sempre desejando mais luxúria, mas a luxúria não pode ser alcançada, a luxúria nunca vai nos satisfazer, poucas pessoas compreendem que o conforto da vida pode não estar em uma casa super cara, com móveis modernos e lazeres do tipo, mas sim, que o conforto da vida pode estar lá fora, segurando um filho, brincando com um cachorro, rolando na grama, quando como éramos crianças, completamente felizes, sem motivo algum de reclamação com a vida, apenas vivendo, com humildade e sensibilidade.
Algum dia envelhecemos, não poderemos nem mais nos mexer quase, então teremos tempo para refletir sobre isso, porém perceberemos que pode ser tarde demais, que nossa vida poderia ter sido muito melhor se nunca esquecêssemos de quem realmente somos ou fomos algum dia de nossas vidas, uma criança.

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