terça-feira, 25 de março de 2014

Crônicas Madrugadoras de um Verdadeiro Eu

 Só Odin sabe o quão mal sinto-me em algumas situações corriqueiras, principalmente em redes sociais (sim, essas malditas me perseguem e me atormentam, como já devem ter percebido). O fato é: Me sinto uma pessoa falsa.
 Primeiramente eu sempre disse que detestava conversar virtualmente, pois bem, ainda detesto, mas isso não me impede de conversar com pessoas que conheço na internet, pessoas que infelizmente moram longe, porém, que me cativaram com seus gênios curiosos, seu senso de humor, as boas conversas, e para uma pitada de satisfação à minha receita, gostos musicais/literários compatíveis, o que facilita muito no meu caso! Não que eu não possa/consiga conversar com uma pessoa com gostos divergentes, muito pelo contrário, dou-me muito bem com pessoas que são o oposto de mim também, mesmo que as conversas não sejam tão estimulantes e... Ahh! Não vou ficar falando sobre quais assuntos facilitam a prosa, não sou didata pra essas coisas e muito menos escritora de livros de autoajuda.
 Detesto livros de autoajuda, por mais que realmente possam ajudar pessoas em crises, demasiado debilitadas para levantarem a cara e enfrentarem seus próprios problemas, cortando o mal pela raiz e aprendendo com a vida. Acho que tais livros abordam questões muito relativas, que dependem de cada pessoa, cada gênio e personalidade. Bem, acho que um ócio, uma reflexão, um devaneio, nos ajuda muito a conhecermo-nos, a entendermo-nos, assim, somos capazes de compreender melhor a vida, de ver as coisas de maneira diferente, pois acho que a melhor pessoa para resolver nossos problemas somos nós mesmos, e o melhor meio de fazer isso é refletindo sobre os problemas, encarando-os. Todos os livros/textos de autoajuda que eu li falaram nada mais do que o óbvio, fatos, de uma forma mais profunda talvez, mais pessoal e até mais poética, mas acho que qualquer pessoa que tivesse o bom senso de parar para refletir sobre tais questões, não precisaria ter que lê-las em um livro de autoajuda emocional/sentimental para enfim se tocar e seguir em frente.
 Olhem bem, aqui estou eu novamente devaneando e fugindo do assunto principal da minha crônica... Ah, mas quem disse que crônicas precisam precisamente de um assunto? Ela é minha e nela falo o que quiser, o que vier em mente, o que eu quiser botar pra fora. Ok, mas agora chega de criticar a autoajuda Tauane, antes que uma legião de fãs de Augusto Cury verta do além e comece a te apedrejar, e você sabe que não é a melhor e mais calma pessoa para entrar em discussões. PS: Nada contra Augusto Cury, na verdade, ele tem algumas frases muito bonitas e reflexivas. Bem, mas como nem todos têm essa capacidade, ou simplesmente vontade ou paciência de conhecer a si mesmo, que fiquem com seus livros de autoajuda.
 Costumo devanear com frequência, mas acredite, meus devaneios são uma das melhores formas das pessoas me conhecerem melhor, de eu me conhecer melhor também (o que não é nada fácil).
 Voltando ao assunto inicial - antes que eu devaneie mais e não dê um fim a esta crônica - sempre vejo pessoas que dizem ser muito mais fácil conversar virtualmente. Talvez porque tenham medo, e eu sei que é relativo, mas eu discordo totalmente. Por quê? Bem, tenho vários motivos para lhe apresentar: Virtualmente a conversa se torna algo supérfluo e artificial, sim, você pode pensar duas vezes antes de mandar qualquer coisa, é meio que uma conversa premeditada, e eu acho que isso é péssimo quando queremos realmente conhecer alguém.
 Você está conversando com uma pessoa, ela fala algo que você não entende ou sobre algo que não conhece: pronto, joga no google (sim, eu já fiz isso). Não estou querendo dizer que uma pessoa deve ser julgada pelas coisas que ela sabe ou não sabe, mas nesse caso a pessoa pode fingir que sabe, fingir ser algo que não é, assim, assumindo um papel falso, mostrando apenas o seu melhor, ocultando seus defeitos e "imperfeições". É esse o núcleo da coisa, é por isso que às vezes sinto-me falsa.
 Eu sou uma pessoa espontânea e despojada, prefiro conversar pessoalmente, a conversa flui melhor, posso olhar a pessoa, entender melhor o que ela está sentindo, querendo transmitir através de palavras, o som de sua voz, posso ver sua expressão (a expressão significa muito, é como uma mensagem subliminar nas entrelinhas), poder ouvir a risada, os assuntos que surgem esporadicamente, enfim, é muito mais entusiasmante e divertido.
 Eu me sinto uma chata conversando virtualmente, não tenho a menor vontade, não me estimula tanto, não me apetece, nem com as pessoas mais íntimas e próximas de mim, mas elas já me conhecem, o problema são as que NÃO me conhecem (completamente).
 Se você só tivesse qualidades todos iriam gostar de você, tirando alguns infelizes e invejosos é claro, por isso é muito mais fácil de gostar das pessoas virtualmente, nós só conhecemos um "lado" delas e elas só conhecem um lado nosso, o lado de quem pesquisa no google, o lado de quem pensa duas vezes antes de mandar (infelizmente ou felizmente, esse não é meu caso pois sou impulsiva até pra isso). Quando eu digo que eu me sinto falsa, não quero dizer que estou tentando aparentar ser o que não sou ou tentando esconder meus defeitos, não, mas ninguém vai ficar expondo seus erros e defeitos publicamente, a maioria das pessoas têm horror a isso, elas se confortam em suas perfeições utópicas, só que eu me sinto mal, detesto me sentir algo que não sou, detesto que gostem de mim por algo que não sou ou até apenas pelo meu "lado bom". Não me estimula tais conversas superficiais, mão me agrada ocultar parte de mim, e não faço isso por querer, claro que não, pois pessoas já tiveram pré-conceitos sobre minha pessoa, que literalmente, são totalmente o oposto da minha personalidade.
 Muitas pessoas (virtualmente) já me disseram que eu aparento ser calma - tirando o fato de que até Buda desistiu de me ensinar a iluminação porque eu "não tenho jeito" -. Já me falaram até que eu aparento ser tímida... Olha, sou uma das pessoas mais despojadas e comunicáveis que conheço (gosto muito de conversas, principalmente quando entendo do assunto). Já falaram que eu era meiga, "meu caro", sou um ogro! Estou mais para troll das cavernas do que para fada dos bosques, e digo isso porque não me considero nem um pouco delicada, meiga ou até cautelosa.
 As pessoas já erraram muito sobre mim, e eu já errei sobre as pessoas, infelizmente, costumo julgar precipitadamente, mas devo admitir, a maioria das vezes meus "julgamentos" são verídicos, tenho um certo dom para compreender e entender as pessoas (menos eu, oh, decadência!).
 Costumo dizer que minha mãe tem audição e visão de cobra, sempre atenta a tudo, tentando nos pegar no flagra para dar o bote, poucas coisas passam despercebidas por ela, mas devo me gabar, porque se tem algo em que sou mestra é manipulação e persuasão, então, infelizmente não sou a "presa" mais fácil da minha mãe. Convenço/conquisto com facilidade, chego até usar chantagem, admito, porém sou persistente e audaciosa, o problema é que sou persuasiva até sem perceber... Então, é por isso, minha mãe é o olho e os ouvidos da cobra, eu sou a "língua", língua descontrolada, língua afiada, língua impetuosa - bom, minha língua já teve demasiados apelidos -, a que fala mais do que deve e do que não deve. Por isso não posso entrar em discussões, minha impetuosidade, ousadia, afoiteza e sagacidade acabam comprando uma boa briga, mas o maior culpado de tudo isso é a minha teimosia, e, devo admitir, o meu espírito competitivo, por mais que eu deteste despertá-lo.
 Gosto de argumentar, adoro sentir o gostinho da razão, gosto de expor minhas opiniões e pensamentos. Sou uma pessoa um tanto orgulhosa - bem orgulhosa diria eu - e muitas vezes esse orgulho me conduz a algo que eu detesto: jactância. Muitas vezes acabado sucumbindo ao orgulho de maneira alarde, acredite, a maioria das vezes faço sem perceber na hora. Aí está algo pela qual eu não me orgulho nem um pouco e sempre quando acontece fico me lamentando arrependida (também sou orgulhosa demais para arrependimentos, raramente sou a primeira a pedir desculpas, porém, ninguém é de ferro).
 Independência, faço tudo sozinha, não preciso de ninguém, não preciso da ajuda de ninguém, odeio que sintam pena de mim, e eu sei que não é assim, que precisamos das pessoas para vários aspectos (considero algo relativo mas tudo bem), mas aí entra o meu velho companheiro, o orgulho.
 Como já devem ter percebido o objetivo do texto é falar sobre mim, caso esteja achando-o chato, desnecessário ou cansativo, não sei o que está fazendo aqui, sugiro que saia daqui imediatamente! Você não é o obrigado a ler, e afinal, falo do assunto que eu quero, como a crônica é MINHA, posso falar sobre quem eu quiser nela. Mas como sabem, eu gosto de refletir, e esses pensamentos vieram de uma madrugada, dessa madrugada, onde estou com a luz fraca do abajur acesa, minha cachorrinha em meus pés, caneta e papel na mão, um desabafo, uma crônica, tentando me entender melhor e organizar meus pensamentos. E também, para tirar algumas dúvidas da minha pessoa, é claro, já que sinto que passo uma imagem falsa para os outros, ou uma imagem incompleta. 
 Me considero uma pessoa divertida, hiperativa e disposta, cheia de vida, sim, mas como uma pessoa assim pode ser preguiçosa? Sim, eu sou preguiçosa, muito preguiçosa em certos casos. É a minha apatia para coisas que desprezo, tudo que não convém com minhas vontades, gostos, virtudes, faço de má vontade, ou, nem faço, não sou obrigada a fazer e detesto obedecer, detesto ser mandada, não podem me mandar fazer NADA, por isso sempre digo que me considero "selvagem", uma nômade, uma desregrada. E quando eu digo nada, isso vale até para coisas que gosto de fazer, como desenhar por exemplo, gosto de desenhar por livre arbítrio, agora, caso você me obrigue/mande desenhar algo, vou demorar e vou fazer sem a mínima vontade, até que, esporadicamente uma vontade própria e uma inspiração surja dentro de mim, que não seja fruto de uma tarefa ou obrigação, mas sim, fruto da minha vontade. Pois bem, não sou nada complacente ou condescendente, principalmente quando se é apenas para satisfazer vontades estúpidas do ser humano, não sou de ceder. Porém sou solidária e, sim, tenho compaixão, gosto muito de ajudar as pessoas, mas sei com QUEM agir assim, sei que eu deveria sentir compaixão por todas as pessoas, acontece que, algumas pessoas se aproveitam da benignidade, e eu não gosto de servir alguém que não mereça ou não precise da minha compaixão, não, nunca! Meu orgulho não permite isso.
 Como minha mente bagunçada vaga em pensamentos profusos, certamente sou uma pessoa desorganizada, mas isso não é problema meu... É da minha mãe! Pobre criatura que tem que aturar uma filha que traz conchas, insetos mortos, pedras, folhas secas e cogumelos para dentro de casa (quando não trago animais vivos no intuito de tentar adotá-los), além de ter pilhas de livros espalhados, papéis e tintas por todos os cantos do quarto.
 Curiosidade, sou uma pessoa curiosa, especuladora, questionadora, eu adoro pesquisar, sobre coisas que me atraem, assuntos interessantes para saciar a curiosidade da minha mente devoradora. Encontro prazer no conhecimento e na leitura, e isso é algo que gosto em mim. Nunca acho que eu sei demais, pelo contrário, quanto mais descubro/pesquiso, mais vejo que existem MUITAS coisas a serem pesquisadas/descobertas, sempre insatisfeita, preciso alimentar minha curiosidade, e essa insatisfação não é um pessimismo, oh não, é demasiado otimismo, sempre querendo mais, achando que pode mais.
 Minhas emoções são instáveis, tenho um gênio irascível, por ora estou sorrindo, cantando, pulando e saracoteando por aí e por ora estou lamentando-me e reclamando. Motivos? O principal eu diria: ROTINA. Eu adoro aventuras, emoções, novidades, coisas novas para se sentir e viver, e a rotina é o pior pé no saco para meu espírito aventureiro, a rotina atrai a preguiça, a morbidez, não consigo me adaptar a ela, começo a lamentar-me de tédio e me pego em um péssimo humor quando fico muito presa a ela.
 Sou mais bem-humorada do que mal-humorada, porém, não escondo minhas emoções de ninguém, quando estou de mau humor TODOS ficam sabendo, não faço questão de escondê-lo, e não é porque eu gosto mais de você que você será poupado do meu peçonhento mau humor. Porém, sou uma pessoa que encontra facilmente motivos para rir, e assim, do nada, meu mau humor cessa.
 Estou falando mais sobre minhas "imperfeições", bem, todos têm qualidades também, até eu, apesar de eu não refletir tanto sobre qualidades do que reflito sobre defeitos, isso porque não melhoramos qualidades, nem defeitos na verdade, porém, reflito sobre defeitos na tentativa de controlá-los. Eu gosto de refletir, cogitar, estou sempre tentando melhorar meu jeito de ser, entender-me melhor e olhar o mundo com olhos diferentes, procurando significados para tudo, por isso, apesar de eu gostar muito de companhias e de conversar, aprecio muito o ócio e a solidão, gosto de ter um tempo para mim, para meus devaneios, minhas coisas, só eu proseando e discutindo com meus pensamentos.
Apesar de eu tentar sempre ver o lado bom das coisas, eu sou muito indignada e revoltada, com injustiças principalmente, qualquer injustiça, não consigo aceitar as coisas facilmente e me meto no meio de onde não sou "chamada". Detesto injustiças, de todos os tipos, principalmente as cometidas por pessoas gananciosas, desabridas, insensíveis, desumanas, egoístas e pervertidas, que tiram vantagem dos outros. Pois bem, eu defendo os "fracos", sempre, na verdade, não diria que são fracos, diria que são bondosos demais para se defenderem, por isso, são vistos como fracos, e eu gosto de falar por eles, pois são pessoas honestas e humildes, que na minha perspectiva, são duas das maiores virtudes do ser humano, acompanhadas com a bondade.
 Considero-me uma pessoa simples, que não exige da vida ou das pessoas, claro que tenho meus desejos e vontades, e mesmo com toda a minha impetuosidade, ainda sou sensata e compreensiva em vários aspectos, fico feliz por isso.
 Costumo me colocar no lugar das pessoas, por isso me considero uma boa conselheira também, e quando se trata de problemas emocionais, sou realista, e o realismo nessas questões é de grande ajuda, principalmente para tirar as vedas dos nossos olhos.
 Ora pois bem, se eu continuasse eu poderia ficar falando sobre mim por uma eternidade! Quanta coisa! Ah, mas todos somos assim, acontece que, gosto de refletir sobre o que somos. Tenho tanta coisa a mais, e até a menos, pois às vezes exagero. Enfim, é apenas uma crônica, fazia tempo em que eu não pegava em uma caneta, no meio da madrugada, e deixava meus pensamentos vagarem, assim, passando-os para o papel, estou me sentindo revigorada. Mas acho que ainda não cheguei a uma conclusão, e nunca chegarei, somos instáveis, propícios à mudanças, acho que não sou nada mais nada menos do que um desvaneio, que agora deixou de ser um devaneio madrugador, para ser um devaneio matutino... Preciso dormir. Ah, se todas as noites eu passasse meus pensamentos perturbados e revoltados para o papel e n'outro dia os lesse, creio que compreenderia-me muito melhor. Porém, preciso dormir.


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