quinta-feira, 27 de março de 2014

Pensamentos da Semana

 Acabei de chegar de uma longa "jornada" em meio às florestas, estou suada, mas não sinto-me cansada, estou suja e cheia de picões, mas sinto-me limpa e purificada.
 Nenhum homem preso à sociedade pode sentir o que eu sinto, saber o que eu sei, entender o que eu entendo enquanto vago pelas florestas em meio à natureza. Eu vago sem rumo, sem direção, como uma desertora perdida, mas acontece que sinto-me mais perdida entre pessoas do que entre árvores, enquanto meu corpo anda sem rumo e meus pés vagam descontrolados, minha mente encontra o seu lugar.
 Corro em meio às árvores, eu gosto de correr, enquanto corro, é como se eu não estivesse ali, é como se eu estivesse em outro mundo, como se meu espírito se libertasse, como se eu estivesse voando com o vento, neste instante, não penso em nada, nada além da liberdade que sinto correr em minhas veias, nada além do vento que bate em meu rosto com voracidade, sinto-me selvagem, mas afinal, é isso que eu sou, minha mente sempre será selvagem e incontrolável, e corrente nenhuma pode tirar isso de mim.
 Às vezes preocupo-me com coisas comuns, como ser picada por uma cobra venenosa, mas na verdade, não me preocupa tanto, teria tantos outros motivos mais "peçonhentos" para me preocupar. Sim, o veneno da cobra é letal, mas é letal para meu corpo, não para a minha mente, meu corpo sucumbirá à dor torturante do seu veneno, mas minha mente, mesmo sofrendo com as dores físicas, permanecerá livre. Acredito que as palavras de um ser humano podem conter mais veneno do que os dentes de uma cobra peçonhenta, o veneno da cobra torturaria meu corpo, poderia me levar à morte (e a morte é uma libertação também), agora, palavras cruéis e tolas de um ser humano torturariam a minha mente, e se minha mente estiver instável, meu corpo também sucumbirá, levando-me à loucura, à morte de meu espírito, uma das coisas que eu mais temo. Mas nenhuma palavra já me dita antes torturou-me a este ponto, e então, nenhuma cobra o fará, e assim, cuidarei-me como sempre fiz, tanto com cobras quanto com pessoas.
 Posso passar tardes inteiras no ócio, em meio a um ambiente verde e isolado, cogitando, refletindo, apenas eu, as árvores, os pássaros e meus pensamentos. Não me prendo a um mundo utópico, muito pelo contrário, prender não seria a palavra certa, mas se eu tiver que me prender à algo, diria que prendo-me à minha realidade.
 Nenhum homem jamais poderá ser preso enquanto sua mente estiver livre. Meus pés podem ser amarrados, mas minha mente continuará vagando, como um selvagem.

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