quinta-feira, 10 de abril de 2014

Acendendo escuridões

 Às vezes, ou no meio da noite, ou no meio da multidão, do caos, da desgraça, só às vezes, frequentes vezes, em algum efêmero minuto, eu consigo entender. Entender o quê, ainda não sei, difícil saber, para alguém que ainda não entende o que deve entender, para alguém que entende o inexplicável, que prolonga a eternidade, que diz meias verdades, que mente falando a verdade, que sente o que alguns não desejam sentir, a verdade. É dolorosa demais... A verdade. Vamos nos refugiar dela, antes que ela se instale em nossos pensamentos, assim como a mentira, a culpa, o medo... A verdade acompanha-os, a verdade acompanha tudo, mas o que seria verdade?
 Minha apatia à vida alheia é tanta, que no meio do caos de mentes perturbadas e bocas falantes, consigo sentir o silêncio. Ele é eterno, assim como meus passos são, contínuos, constantes, eternos... Errantes... O silêncio é a verdade, minha mente é testemunha.
 Se meus pés tivessem vida própria, eles já teriam ido para onde sempre desejaram ir, mas eles não conseguem, o peso da minha mente não permite que se movimentem em livre arbítrio, pesada demais, errada demais, cansada demais, demais, eles arrastam-se desejando liberdade da minha mente, mas eles sucumbem ao medo, medo da verdade. 
 Não posso seguir meus pés, pois eles não seguem caminhos, apenas acompanham, mas posso seguir minha mente, porém, ela não sabe o caminho. Ninguém sabe. Talvez ele nem exista, talvez seja fruto da minha imaginação, se eu não sei onde ele vai dar, não é exatamente um caminho, talvez seja um mar, sem caminhos, mas você decide se quer afundar ou não, boiar, ou nadar, para o além, para o sol... 
 Ah, sol, sempre o segui, não importa onde, sempre o segui, escalei árvores em busca de você, atravessei morros, penhascos, tentando lhe alcançar, porém nunca consigo, você me abandona todos os dias, não posso lhe seguir o resto da vida, dói me na alma vê-lo partir todos os fins de tarde, mas dá-me uma grande alegria vê-lo retornar todas as manhãs, minha alma se regenera, há luz novamente, não posso vê-lo, posso senti-lo, pode sentir-me? Pode sentir-me buscando por ti? Pode saber tu, o quanto desejo que você me leve daqui? 
 Então eu fecho os olhos... e com os olhos fechados, posso ver muito mais do que pessoas com os olhos abertos. "O importante não é o que você olha, é o que você vê", como já dizia Thoreau. O que eu vejo? Na escuridão, não posso enxergar nada, mas posso sentir, não preciso olhar, preciso sentir. Eu sinto. Aqui, agora, eu sinto. Sinto a brisa das janelas fechadas, sinto o calor da vela apagada, sinto o som das vozes caladas, sinto, apenas sinto. Rindo, sorrindo, erguendo as mãos para o céu, tentando alcançar o inalcançável, possibilitar o impossível, evitar o inevitável, eu sinto, eu consigo entender. Talvez essa seja a verdade, sentir, entender, compreender... saber. 

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