quarta-feira, 23 de abril de 2014

Poema das Montanhas de Gelo



Cancele o amanhã
Apague o ontem
Acabei demorando para perceber
Que o ontem já foi o amanhã
Aguardando o momento para perecer
Todo o amanhã perece
E então a gente se esquece
Do que o amanhã já foi a ser

Numa expectativa inóspita
Num importuno momento
Num moinho de vento
Numa montanha gelada
Numa calorosa geada
Dragões dançam pelas estradas douradas

Do outro lado vejo pistas
Pistas de gelo quebradiço
A brilharem na luz do sol
Nelas dançamos cantando
Sob sóis azuis
Vós sois sóis, vós sois meu rebuliço
Meu rio seco e meu deserto alagadiço

Acabei sendo engolido por um buraco negro
Cegado por um pulsar
Sufocado pelos teus gases
Esmagado pela tua pressão
Aquecido por teus raios
Mas não esqueci de contemplar as estrelas
E de me envolver em tua gravidade
Orbitando teus pensamentos
Em busca de meias-verdades

Pegue seu escudo de vento
Sua capa de lágrimas
Sua espada de sonhos
Vá para a luta caro sonhador
Mova as montanhas
Montanhas de gelo, montanhas da dor

Em um grande pulo
Se longe julgo
De perto o vulgo
Um pobre pulgo
Saciando a sede com sangue
Do homem langue

Deixo de orbitar teus sóis
Para orbitar teu coração
Cheio de flores sorridentes
Perco a razão
Quando me entrego à tua devoção
Um cego louco e imprudente
Vagando pela ilusão

Enquanto não sou afoito
Escondendo-me nas sombras
Das cavernas ao ar livre
Banho-me em minhas lágrimas sucintas
Alimento-me de sorrisos encravados
Até alcançar o topo da montanha
E realizar minha façanha

Perdão se eu fugi
Acabei distraindo-me
Calcei minhas botas vermelhas
Para escalar as montanhas geladas
E colher os frutos da árvore
Que floresce na encosta da estrada

Minha lança do medo
Atravessou as escamas espessas do dragão
O guardião da tua alma
Que caíste no chão
Assim então, adormece o medo, adormece o dragão
E enfim, conquisto teu coração

0 comentários:

Postar um comentário