quinta-feira, 8 de maio de 2014

Velejando

Num Barco velejo
Com as velas da Ilusão
Num mar de Fantasias
Em redemoinhos da Confusão -
Uma incomparável Analogia.

Das Florestas geladas
Os gigantes vieram -
Nos Ventos dos Alpes
O verão Hiberna
Desperta o urso - em sua caverna.

O Corvo azulado pelos prados voa
Onde o jardineiro plantou
As escadas até os Céus
Morada dos deuses
Que cantam seu amor pelas terras esverdeadas.

Os Elfos despertam-me
De meu sono sucinto -
Sinto o medo de Partir
Desta Ilha que pega o Mundo inteiro -
Deste mar de monstros sem Marinheiro.

Então - Entrego-me à verdade
Pego-me entre linhas e mais linhas -
Longe da realidade
Estou a milhas e  milhas,
Vagando em páginas.

O livro fechou-se
Os Elfos não mais cantam
Os Gigantes não mais vagam pelas florestas
Os ursos não mais hibernam -
Meu barco afundou-se.

Desespero-me; afogo-me -
Sufocam-me os tolos
Que não veem o que posso ver -
Tempestades de pensamentos
Não tirem-me daqui - pois aqui eu posso ser...
O que ninguém diz que eu posso ser.

Tolos são aqueles que deixam de ver
Por medo de despedir-se da "realidade"
Que esconde os prazeres
Na sua vaidade
Em contínuos afazeres
Cegos por uma cega verdade.

Outro barco Construí
Das vozes turbulentas e ignóbeis
Fugi
Para os bosques encantados - novamente
Pelas terras desconhecidas - agora passo a viver,
Dançando com as nuvens jubilosas ao nascer.

Agora, afundo-me apenas nos Mares
Onde velejam os sonhadores
Que navegam por prazer
Não como pescadores
Que pescam sem saber
O mundo mágico que existe abaixo de seu próprio barco.


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