sábado, 23 de agosto de 2014

Anne de Green Gables - Livro


Há alguns meses atrás eu assisti um filme. Ora, que coisa hein?! Assistir um filme... Todo mundo o faz! Mas eu não assisti um filme qualquer, bem, literalmente é só mais um filme, mas para mim ele significou algo a mais... Um pedaço de mim, da minha infância, não que eu o tenha assistido na infância, mas a personagem principal (Anne Shirley) me causou uma imensa nostalgia sobre a minha infância, minha imaginação e meus mundos fantásticos. 
 Baixei o filme em péssima qualidade! Terrível mesmo, e acreditem, sofri para conseguir baixá-lo. O filme durou 3 horas, e achei pouco, pra mim poderia durar para sempre!! hahaha Mas enfim, vocês já devem imaginar que filme é. 
 Eu já sabia que tinha livro do filme, mas nunca tive esperanças de lê-lo, é um daqueles livros tão fantásticos, mas tão desconhecidos (pelo menos no Brasil), que você não tem nenhuma esperança de encontrá-lo por acaso, ou tão facilmente assim. Tenho o mesmo sentimento com os livros de várias escritoras como Edith Nesbit, Louisa May Alcott, Frances Hodgson Burnett, Laura Ingalls Wilder etc Sem falar nos escritores homens, que são tantos que não sei nem por onde começar!!! Eu penso "Terei que aprender inglês mais que fluentemente para um dia conseguir lê-los na sua língua original, não tenho esperança alguma de encontrá-los em qualquer biblioteca brasileira, infelizmente", talvez eu esteja errada, em alguns casos, bem, em um deles eu estive. 
 Saindo da sala de vídeo da escola, vi a biblioteca aberta e me deu uma vontade de entrar lá, sempre entro normalmente, quando quero ler ou retirar algum livro, mas dessa vez eu entrei sem nenhum motivo, apenas para "olhar", fiquei lá por alguns minutos, olhando, folheando, andando, então meus olhos se depararam com um livro colorido, de capa verde, numa das prateleiras mais altas da biblioteca! Foi um choque! HAHHA Ah, no momento não acreditei, eu peguei ele na hora, foi um impulso tão grande, tão forte, quando eu senti ele literalmente não conseguia acreditar! "Eu achei, eu achei", haha parecia uma criança feliz, não que eu não seja... Às vezes! hahaha Mas enfim, é estúpido, eu sei, saí da biblioteca pulando feito um bobo alegre, mas a alegria era tanta, é como se eu tivesse conquistado um prêmio desejado há muuuuuuito tempo! hahaha Me subiu um júbilo enorme pela espinha, abandonei todos os livros que estava lendo (inclusive os da escola) para ler "Anne de Green Gables". 

Sinopse do livro: Uma menina de 11 anos, com cabelos ruivos, sardas e uma mente tão perspicaz quanto a de um cientista em busca de conhecimento, chega a uma terra onde as tardes são calmas; os pores do sol, alaranjados; as florestas, aconchegantes; e os rios, suaves, como o ritmo do povoado. Como a floresta mal-assombrada do mundo criativo de Anne, as pessoas de Avonlea não a recebem muito bem. Diferente, inteligente, preocupada e um tanto desastrada, a garotinha de sonhos sapecas vai aos poucos conquistando o coração de cada um. Entre uma travessura e outra que insiste em permear os gramados em que pisa, Anne vai mostrando como é aproveitar a vida de uma forma mais simples e divertida. Seja caindo de um barco, ou esquecendo de preparar um bolo, ela vai amansando a todos, pois uma pitada de baunilha não faz mal a ninguém, nem que isso traga um pouco de confusão. Sua boca é uma matraca, e seus sonhos são maiores que moinhos de vento. Anne vai crescendo... e crescendo... e de patinho feio revela-se um elegante e atento cisne, pronto para abrir suas asas e voar para além das veredas. Mas a vida é feita de artimanhas, e a nossa garotinha adotada pelos irmãos Marilla e Matthew tem algumas cercas a pular, sem jamais deixar seus sonhos desvanecerem, como algumas criaturas fazem... 

Sobre Anne: Ela é o principal motivo de eu amar tanto o livro. Suas falas pegam mais de duas páginas! Ela é tão sonhadora, imaginativa, otimista, feliz, curiosa, encrenqueira, determinada, orgulhosa, gentil, esperta, metida, teimosa... Lembra muito uma certa pessoa quando era menor... hahaha Eu era terrível! Sim, e sinto falta disso hahaha O mundo era muito mais colorido... Anne ama imaginar coisas, criar seus mundos fantásticos, suas histórias imaginárias... Ao mesmo tempo ela é insegura e convicta com o mundo em que vive, ela vê o lado bom das coisas, está sempre aprendendo com os erros, porque ela gosta de experimentar, de arriscar, de tentar, de descobrir, ela é fascinada pelas simples coisas e pelo mundo que a cerca. Anne é encantadora, como a autora do livro (L.M. Montgomery) disse sobre a visão de mundo de Anne: "Mostrei o mundo dos adultos visto pelos olhos de uma criança, e não ao contrário, como é comum." Não tem como não se apaixonar por Anne e suas histórias, suas encrencas, seus devaneios, ela vive criando histórias e imaginando as coisas diferentes do que são... Me senti como uma criança novamente quando comecei a ler... Pensei comigo: "afinal, eu não era tão estranha assim quando criança, eu era encantadora", haha sempre fui considerada meio esquisita ou coisas do tipo, mas eu era uma criança, sonhadora (até demais talvez), impulsiva, metida, mexerica, emotiva, curiosa e imaginativa, e hoje eu me orgulho disso, me orgulho de meus mundos imaginários, de meus contos de fadas, das minhas encrencas, sinto MUITA falta disso. Só temos uma diferença, eu não era tão faladeira quanto Anne (apesar de agora ser até mais do que ela haha), mas como ela disse "Falo menos do que gostaria de falar", isso é algo que temos muito em comum, ainda! hahaha Enfim, acompanhei Anne crescer, e foi como se eu tivesse acompanhado a minha passagem da infância para adolescência, foi como me ver crescer...

Quotes:

"Não é maravilhoso pensar em todas as coisas que ainda temos que descobrir? É o que me deixa feliz por estar viva... Este mundo é tão interessante. Não seria nem metade do que é se soubéssemos tudo sobre ele, não é mesmo? Aí não haveria espaço para a imaginação."

 Sim, exatamente isso! É tão bom descobrir as coisas, desvendar! Saciar a curiosidade! Deixar se fascinar pelas coisas mais simples e estúpidas, pelos pequenos detalhes, é prazeroso!


"As pessoas reclamam de mim quando falo demais. Mas quando se tem grandes ideias, é preciso falar demais, não é mesmo?"

 Concordo, só tem um porém, quando tenho grandes ideias, poucas pessoas realmente gostam de ouvi-las...


"Eu belisco-me para ter certeza de que é real... Até eu me lembrar de repente que, mesmo se fosse apenas um sonho, é melhor continuar sonhando. Então, eu paro de me beliscar."

 Muitas vezes sendo apenas uma utopia, essa utopia faz mais sentido que a própria "realidade". 


"A pior parte de imaginar as coisas como elas não são é que chega um momento em que é preciso parar, e isso dói."

 Famoso choque de realidade... Passei por isso várias vezes e sim, isso dói! hahaha


"- A Senhora nunca imagina as coisas diferentes do que elas são? - Perguntou Anne de olhos arregalados.
- Não.
- Oh. - Anne inspirou profundamente. - Oh Senhorita Marilla, não sabe o que está perdendo."

 É Marilla, a srta não sabe o que está perdendo! hahah


"Metade do prazer que há nas coisas é esperar por elas. - Exclamou Anne. - Pode ser que nunca as tenhamos, mas nada nos impede de nos divertir esperando por elas. A Sra. Lynde diz: 'Benditos aqueles que nada esperam, pois nunca ficarão decepcionados.' Mas creio que seria pior não esperar nada do que se decepcionar."

 Melhor ser decepcionada tentando, do que não ser decepcionada não tentando.


"-Oh Marilla. - Anne exclamou numa manhã de sábado o entrar dançando com os braços tomados por ramos deslumbrantes. - Fico tão feliz por viver num mundo onde existam outubros. Seria terrível se simplesmente passássemos de setembro a novembro, não seria? Veja só estes ramos de borda. Não são de arrepiar? Um arrepio atrás do outro! Vou decorar meu quarto com eles!
- Sujeira. - Disse Marilla. - Você entulha seu quarto com esse monte de coisas que traz lá de fora, Anne. Os quartos foram feitos pra dormir.
- E para sonhar também, Marilla. E, sabe de uma coisa, sonhar é muito melhor num quarto com coisas bonitas."

 Opa! Conheço uma pessoa que adora levar penas para os quartos, folhas, pedras, flores, conchas e até insetos... E não, não é sujeira, como minha mãe sempre reclama, afinal, é melhor sonhar mesmo em quartos mais bonitos! haha


"- Você é muito imprudente e impulsiva, criança, oh se é. Você nunca para para pensar: você diz ou faz o que lhe dá na telha dizer ou fazer, sem um momento de reflexão.
- Oh mas essa é a melhor parte - Protestou Anne. - Quando nos ocorre alguma coisa simplesmente estimulante, é preciso externá-la. Se pararmos para pensar demais, acabaremos estragando tudo."

 Pois sim, quando penso demais, penso demais nas possíveis consequências, ou nos obstáculos, ou no que as pessoas vão achar, acabo desistindo. E é por isso que as pessoas são tão infelizes, não fazem o que têm realmente vontade, fazem o que os outros querem que você faça. Então, sou imprudente e impulsiva sim, mas afinal, essa é a melhor parte! hahaha  


"Existem tantas Annes diferentes dentro de mim. Às vezes acho que é por isso que sou uma pessoa tão problemática. Se houvesse apenas uma Anne, seria tão mais confortável, mas aí eu não seria tão interessante."

 Sou mais do que apenas uma Tauane. Sou várias. Sou duas, sou três, talvez quatro ou mais. Às vezes sou extraordinária, outras vezes sou extra ordinária. Às vezes sou a preguiça, às vezes o entusiasmo. Sou o céu de sol e o céu nublado. Gosto de ser de tudo um pouco, saber de tudo um pouco, viver de tudo um pouco. Detesto mesmice, não a aceito nem em mim... Não que eu seja duas caras, oh não, detesto pessoas assim, meu caráter é estável, meu coração não. Às vezes sou a Tauane que adora ficar em casa, às vezes a Tauane que adora sair. A Tauane que prefere a noite, prefere o dia. A Tauane que adora conversar, a Tauane introspectiva. A Tauane briguenta, a Tauane pacífica... A verdade é... Eu tenho dificuldade em lidar com todas. 


"Para Anne poder aceitar as coisas com calma, ela teria de mudar sua natureza. Toda "espírito, fogo e orvalho" como era, os prazeres e os sofrimentos da vida a atingia com uma intensidade tríplice."

 Por que nos privarmos de sentir as sensações da vida com intensidade? São as sensações que nos trazem prazeres, que nos mostram os lados da vida... Sem elas seríamos tão... vazios!


Crescendo com Anne: Eu chorei quando eu terminei o livro... Eu já chorei em vários livros afinal, eu sei, pelos finais tristes, ou simplesmente por acabar uma leitura prazerosa e um mundo em que eu havia entrado e vivido enquanto estava lendo... Mas dessa vez foi um pouco diferente, o final não foi todo triste, não, foi lindo e emocionante... Fiquei triste também por terminá-lo, eu vivi com Anne ou como Anne esse tempo que o li... Mas o que mais me fez chorar foi ver Anne crescer, pois eu percebi que eu também cresci. Eu era muito Anne quando criança, eu me lembro de minhas passagens fantásticas na infância, mas eu me culpo hoje, porque eu não tenho mais aquela imaginação fértil, aquela facilidade em criar histórias fantásticas, aquele jeito colorido de ver o mundo, aquela curiosidade e aquele amor pelas pequenas coisas, pelo menos não como antigamente... Anne também cresce, ela começa a falar menos, ela começa a devanear menos, seus textos não são mais histórias fantásticas, mas sim críticos, como a maioria dos meus atualmente... Ela também não lê aqueles livros fantásticos, como Alfred Tennyson (poxa, temos gostos em comum também!), ela cresce... Eu cresci. E no final do livro eu senti uma imensa dor no peito, uma saudade terrível da Anne do começo do livro, e o pior de tudo, senti falta de mim mesma, da minha infância, das minhas histórias, das minhas fantasias, dos meus gostos, dos meus livros de contos de fadas, dos meus passeios, da minha criatividade e imaginação... Ver Anne crescer foi como ver eu crescer, mas nos olhos de outra pessoa, e é doloroso... Me culpo por não ser mais a mesma Tauane... Mas acontece que, eu continuo sendo ela, lá no fundo, por dentro, ainda tenho minhas vontades esquisitas, as flores no quarto, as histórias fantásticas que eu crio, e o fascínio pelo mundo, de uma forma mais madura, mas eu ainda sou aquela Tauane que adorava subir em árvores e sonhar acordada, e sempre serei.

Um comentário:

  1. Nossa, foi tão bom ler isso. Me lembrei de quando encontrei o livro na biblioteca da minha escola também. Eu li e me apaixonei completamente! Chorei um pouco lendo os quotes porque me fez lembrar... Ai, que sensação boa!

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