sábado, 30 de agosto de 2014

Bolsa Família é compra de votos

 Se ignorar a população pobre, deixar morrer de fome ou torna-los invisíveis (fingir que são, mais do que já são para o resto da sociedade), o governo é um péssimo governo, um governo oportunista, que não atende as necessidades do povo, que só se importa com as grandes indústrias (de grandes pessoas), com lucro para o poder central e sem a distribuição desse lucro para o resto do país.
 Se o governo distribui essa renda, não em forma de salário mínimo, mas em forma de “bolsa qualquer coisa” para os mais necessitados, que nasceram em condições deploráveis longe da utópica meritocracia, que sofrem negligências, nasceram já em uma cultura pobre e sem incentivo, um povo ignorado e muitas vezes DESPREZADO pelo resto do país, é claro, o governo faz disso como um jeito de manipular e comprar votos. Vendo bem que grande parte das pessoas não sabe realmente como funciona o bolsa família e que há solicitações para a distribuição de tal (é necessário trabalhar também para receber o bolsa família etc).
 Pois sim, então, que seja, Bolsa família é ”compra” de votos.
 Até porque, qualquer programa que vise em ajudar aqueles que são necessitados, que antes então não recebiam nada além de desprezo ou pré-conceitos, dizendo que para conseguir o que queriam era preciso trabalhar, ignorando a real situação desses necessitados no mercado de trabalho, depois de um programa que tentou resolver isso ou tirá-los de tal situação deplorável, obviamente, os necessitados apoiarão esse programa e o governo que o implantou. ISSO É ÓBVIO, votamos em quem nos favorece, e eles em quem favorece o povo, a classe-baixa e média-baixa (que é a maioria). Essa é a filosofia da política. E o pior é que agora tem muita gente reclamando de barriga cheia com o nosso governo atual... Cuspindo no prato em que come, usufruindo de muitos privilégios que o governo nos dá e mesmo assim reclamando, ou, defendendo um “estado mínimo”, sendo que ao mesmo tempo em que defende o estado mínimo, pede por melhorias na saúde e na educação pública, incoerência. Nunca precisou pegar fila no SUS porque teve dinheiro para particular, nunca precisou ganhar bolsa de estudos porque teve dinheiro para escola e universidade particular, ou porque nasceu com privilégios na educação e na sociedade mais evoluída e BRANCA (sim, o racismo também é uma grande fonte de pobreza e falta de oportunidades no mercado de trabalho e não adianta negar). E quem não teve a mesma sorte que nós? Não trabalharam o suficiente? Não estudaram o suficiente? Não nasceram com privilégios o suficiente? 
 É claro que há aspectos negativos no nosso governo, e muitos, em todo governo haverá, mas as pessoas costumam destacar os aspectos negativos e desprezar os positivos que o governo já realizou, sendo que nem tudo é tão simples assim, somos um país com 200 milhões de pessoas, aproximadamente. Mas para os privilegiados, favorecer os necessitados não é um aspecto positivo, “quem quer que vá atrás”, “bolsa família deixa as pessoas acomodadas”. Qualquer pessoa que antes morria de fome, que era invisível e ignorada, agora, se “acomodará” com um governo que tenta mudar isso. Eles não tem incentivo na educação e no trabalho, e não é porque são "ignorantes" ou "vagabundos", É A CULTURA, e a cultura NÃO É UMA UTOPIA ou uma desculpa, ela é resultado histórico de muitos eventos como racismo, escravidão, guerras, religião ou tudo que pode diferenciar um povo de outro. Sobre a cultura deles que eu já falei e repetirei: são poucas oportunidades, sem incentivos, péssimas condições e tudo o que nasceu longe do nosso mundo, ou não tão longe assim, mas ignoramos. A GENTE NÃO ESCOLHE EM QUE CULTURA NASCER, mas basta nós compreendermos a necessidade dos que não nasceram com nossos privilégios.
 Mas é claro que a maioria dos privilegiados pelo sistema são contra esses programas beneficentes, afinal, eles trabalham “duro” para ganhar seu dinheiro. Nascendo já em uma posição favorável, com dinheiro para escola particular, cursinhos, universidade, com 1001 oportunidades etc, com certeza, deram muito duro. Sem falar quando esse duro é mais pra sujo, desonesto e oportunista, que se aproveita da insegurança e necessidade de muitos. Baita dureza né? Ter o mundo inteiro ao seu favor.
 Reclamam, reclamam e reclamam, alguém tem uma solução melhor ao invés de reclamar? E não me venha com meritocracia, quero na “próxima vida” você nasça na favela, sem privilégios, numa cultura ignorada, sem incentivo, vivendo na opressão policial e racial, para ver se a tal meritocracia funciona com você. Até porque, a gente que vive numa situação social com mais oportunidades e privilégios, estamos confortáveis e temos mais tendências em “subir na vida”, os mais necessitados não interferem na nossa vida, eles são praticamente invisíveis pra nós, por que o governo usa o “nosso dinheiro” para “dar” para eles? Claro, falamos isso porque vivemos longe da opressão e da discriminação contra pessoas pobres, “faveladas”, negras ou de uma cultura diferente. É fácil falar, difícil mesmo é admitir que os mais pobres que trabalham são os que nos sustentam, são os que limpam nossas ruas, os que dão suas vidas para o bem estar da sociedade privilegiada, trabalhando em muitos ramos onde nós não trabalharíamos porque pudemos estudar, e eles não, não porque não quiseram, mas sim porque não tiveram incentivo ou oportunidades, não tiveram uma educação avançada como a nossa, “simplesmente” porque não nasceram na nossa situação social. E mesmo assim, eles sofrem preconceito, generalizações e são desprezados. Programas beneficentes para os necessitados SÃO O MÍNIMO que o governo pode fazer por eles.
 Dizem que todos podem subir na vida, é claro, mas isso é muito mais fácil para aqueles que já estão acima dos outros, eles podem se aproveitar dessa situação para pisar nos que estão abaixo e usufruir dos privilégios que nascer na riqueza pode dar.


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