segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O Descanso Jamais Sucedido de Pensamentos Conturbados por uma Mente Incansável e Devoradora de Curiosidades Insaciáveis

 A minha curiosidade tem curiosidade sobre a minha própria curiosidade. Curioso, não?
 É uma sucinta turbulência que acontece constantemente em minha constante mente curiosa. Assim, perco-me profundamente em um mundo só meu, um mundo de pensamentos conturbados, um labirinto, pelo qual a saída só é obtida com as respostas de miríades de charadas e trocadilhos.
 Às vezes tento me livrar dos meus pensamentos conturbados, mas me pego presa a eles, distraída do jeito que sou, mal vejo que estou novamente divagando em meus devaneios introspectivos. Ah, mas antes presa em meus próprios pensamentos do que presa nos pensamentos das outras pessoas! Odin me livre! Pensar por si próprio é uma das melhores coisas que podemos fazer! E o melhor de tudo?! É de graça, não atrapalha ninguém, nos torna autônomos, alimenta o nosso senso crítico, nossa curiosidade e a nossa visão de mundo. O que mais podemos fazer numa madrugada de insônia? Vamos refletir sobre a vida, sobre as coisas, sobre tudo o que vier na mente! Vamos aproveitar um pouco enquanto não precisamos voltar para o mundo corriqueiro da "realidade". 
 Pois é, tenho insônia às vezes... e o motivo? Minha mente irrequieta e inexorável ao meu mundo noturno. São noites longas... Mas só porque são longas não quer dizer que sejam cansativas. Sei que eu deveria fechar os olhos e descansar minha mente dos pensamentos ativos, mas como posso eu fechar os olhos à noite quando se tem milhares de estrelas brilhantes no céu para serem admiradas? E como posso eu descansar minha mente quando posso usá-la para imaginar e pensar sobre um milhão de coisas magníficas e interessantes? Que me despertam a curiosidade e imaginação? 
 Minha mente trabalha incessavelmente com minha curiosidade e com minha imaginação, sempre absorvendo o mundo ao seu redor, sempre adicionando possibilidades, cogitando, refletindo e questionando, até por coisas estúpidas ou detalhes tão pequenos que são considerados inúteis... Ah!! Isso me perturba de vez em quando, mas a verdade é que eu me perturbaria muito mais se tivesse uma mente vazia do que uma mente conturbada.
 Não busco refúgio, busco respostas, ou até mesmo mais fontes de curiosidade para contribuir com minha transe reflexiva, é um ciclo contínuo, pelo qual me detesto... e me orgulho também, sou muito orgulhosa, se tem uma coisa no mundo pela qual não sou orgulhosa é sobre o meu orgulho exagerado.
 Não tenho refúgios, mas tenho soluções. Não quero desfazer meus pensamentos agitados, quero organizá-los, ou expressá-los de alguma forma... Eu não tenho dificuldades em me expressar, na verdade sou bem expressiva, até demais às vezes e acabo sendo interpretada de maneira errônea, mas parece que eu nunca me expresso totalmente da maneira que eu queria me expressar ou nunca falo tudo o que eu queria falar, e olha que já falo demais. Quando finalmente parece que eu consigo me expressar como queria e falar tudo que eu tinha em minha mente, eu paro para refletir e acabo percebendo que não disse tudo que queria dizer e nem me expressei totalmente, péssima sensação de insatisfação emocional, malditos nós na garganta e pensamentos do tipo: "eu devia ter dito isso". E é devido a essa insatisfação que eu escrevo. Escrever é um jeito de eu me autoconhecer, de me expressar e de organizar minha mente, é uma das minhas soluções. Se eu não escrevesse, não conheceria nem metade da metade da Tauane que sou, e olha que devo ser tanta coisa que ainda não sei que sou...
 Não sei exatamente por quê sou assim, creio que todo mundo seja, mas de maneiras diferentes. Minha mãe disse que tenho a imaginação fértil demais porque quando era menor eu lia livros "surreais", ou seja, contos de fadas e aventuras (eu leio até hoje, e adoro, mesmo sendo em menores quantidades). Mas a melhor parte dos livros é que eles são surreais. Se eles fossem como a nossa realidade, eles não seriam tão interessantes quanto são, e não nos causariam tanto júbilo. E se o nosso mundo fosse como o mundo dos livros, então, nesse nosso novo mundo criariam livros mais surreais do que o nosso surrealismo, até porque, é da natureza humana sentir-se atraído pelo inalcançável, pelo distante e pelo utópico. Às vezes as utopias têm mais sentido que a nossa realidade, até porque, nossas utopias sempre têm vestígios do que é real para nós, e esses míseros vestígios podem se tornar mais real do que o que já é considerado real por outras pessoas. 
 Não sei tanta coisa que queria saber, não sou tanta coisa que queria ser, não vejo tanta coisa que queria ver, mas de uma coisa eu sei, eu sou e eu vejo: se eu não quisesse saber tantas coisas, ser tantas coisas ou ver tantas coisas, aí sim que eu nunca nada saberia, nada seria e nada veria. Uma mente vazia, sem conturbações, mas vazia.


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