quarta-feira, 3 de junho de 2015

Eu era


E lá
Em meio a tantas vozes barulhentas
Eu era a voz calada
De uma mente turbulenta,
O silêncio que atormenta
Qualquer mente vazia.

E no meio de tudo o que era certo
Eu era a incerteza.
No meio de tudo o que era distópico
Eu era o sonho.
No meio de tudo que era convicto
Eu era a confusão.
No meio de tudo o que era absoluto
Eu era dúvida.
E no meio de tudo o que era desistente
Eu era a ambição.
Eu era tudo o que não podia ser
E não era tudo o que devia ser.

Eu florescia
Em solos incertos
Terrenos desertos.
Eu crescia
Aos prantos da chuva,
Colhia espinhos
Para não esquecer
De todas as outras flores do caminho
Que passei a conhecer.
Perfumes e odores
Medos e amores
Expectativas e dissabores.


De rua em rua
Eu ia andarilhando.
De rumo em rumo
Eu ia me procurando.
De vez em vez
Em alguma curva, me encontrando.
Cansada da incerteza
Deixei de procurar rumos
Para aproveitar a caminhada
E acabei me encontrando
Numa trilha inesperada.

Eu era
Eu sou
Eu serei
Tudo o que não se espera
Tudo o que não se fala
Tudo o que não se vê

Vou abrir minhas asas
Para voar até os céus
Onde habitam os sonhadores
Poetas e escritores.
Não pertenço ao chão
Pertenço a qualquer lugar
Qualquer lugar distinto
Em que se possa sonhar
Qualquer recinto
Em que se permitam amar.

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