sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Epítome


Às vezes, os júbilos ou as dores da vida são tão intensos que nem o papel e a tela conseguem lidar... É como se o resultado sempre fosse insuficiente, você nunca se expressa de maneira satisfatória, parece que há sempre algo a mais querendo fugir do âmago dos seus pensamentos... Chega a ser perturbador, você procura de forma inusitada uma maneira de tirar aquilo que há dentro de você através da arte ou da poesia (pois você sabe que as pessoas não são boas ouvintes, e muito menos boas entendedoras das incógnitas da sua mente enigmática), mas aquilo não sai de ti, muitas vezes fica conturbado e profuso, e a mente melindrosa saboreia cada gota de confusão... Então ela começa a pesar... São muitas incertezas, muitas dúvidas, a vida se torna um eterno enigma. Você passa a enxergar a vida de maneira muito mais profunda, tudo começa a soar mais profundo do que parece ser, você sai da superfície do oceano em que o mundo vive para sentir a pressão e a escuridão das profundezas dele, onde poucos se arriscam a afundar, pelo medo do desconhecido e o medo de sair da leveza superficial, pois lá as chances de você se afogar são menores.


Com a perturbação de uma mente inquieta sucumbimos ao excesso das emoções e em algum momento precisamos nos livrar disso para podermos sentir por algumas frações de segundos sequer a brandura da vida... Porém, como eu - e creio que muitas pessoas também - penso demais, digiro tudo ao meu redor como conteúdo, como uma tela a ser interpretada ou um poema a ser decifrado, é sucessivo, a brandura passa a ser algo raro. Minha mente sempre conjeturando, sempre criando equações, pegando epítomes e deixando-as complexas, criando dilemas, duvidando daquilo que é "certo" e questionando as incertezas, é demais... Sentir demais, pensar demais, tudo me abala, não há equilíbrio... Às vezes sinto que vou estourar de tantos pensamentos e sentimentos que habitam meu ser. Ainda não descobri se é bom pensar e sentir as coisas com tanta intensidade... Parece que o que eu escrevo é incompreensível, pois se passam tantas coisas dentro de mim... E o que eu escrevo nunca passa de 10% do que eu sinto.

Porém, há sempre alguém que compreende o que eu sinto... Aqueles que também não são compreendidos pelo mundo em que vivem.


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