terça-feira, 13 de setembro de 2016

Querem que sejamos primeiras-damas, nunca presidentes.

 O título do meu texto parece parcial comparado ao cenário político atual. Bom, eu tenho uma posição sim, mas não a imponho, aceito que existam pessoas que tenham ideologias diferentes das minhas e com princípios distintos, mas se tem uma coisa que eu nunca aceitei e jamais vou aceitar é: MACHISMO, e é sobre isso que o meu texto se trata.

 Com todo esse pandemônio político que aconteceu nesses últimos meses no nosso país, pude tirar várias conclusões, e uma delas é: a mulher na política ainda não é vista como figura política, apenas como mulher.

 Com a cassação do ex-deputado Eduardo Cunha após, não apenas acusações, mas provas de sua índole corrupta, li vários textos e comentários sobre o assunto, e um deles me chamou muito atenção, principalmente porque é na área em que eu me envolvo há alguns anos já, o feminismo. O comentário era o seguinte:

 "Impressionante né? Quando a Dilma foi fazer sua defesa, tava calma, serena, educada e respondeu mil vezes as mesmas perguntas. Agora o Cunha ta ali, dando piti, no alto da sua arrogância, se babando, tremendo, mais vermelho que um tomate e ameaçando meio quórum.
 Mas a mulher que não tem controle emocional, engraçado né?"

 É aquela velha mania chata e patriarcalista de criticar a mulher na política, não por sua administração, não por seus erros políticos, mas criticando sua aparência, sua vida amorosa, suas vestimentas e seu sexo.

Além de já ser difícil de a mulher participar da esfera política, é mais complicado ainda quando ela está lá dentro, pois tentam a derrubar com ataques pessoais, perseguem sua vida íntima (e é só nisso que querem falar) e usam qualquer demonstração emotiva dela contra ela.
As afrontas usadas pelos "críticos" são sempre sexistas, raramente de cunho político (que deveria ser o verdadeiro alvo da crítica), chamaram a Dilma de vadia, vaca, gorda, sempre com insultos machistas tentando degradar a imagem da mulher, não a criticando politicamente.

E o máximo que chamam o Cunha? Corrupto.

Eu votei na Dilma sim, mas se não tivesse votado, mesmo se fosse contra ela, jamais compactuaria com tais desrespeitos, pois eles não se tratam de criticar o governo, de fazer política, de mostrar o poder do povo, se tratam de misoginia, de depravar a imagem da mulher.

Se ela teve boas propostas?
Se ela teve uma boa formação?
Se ela não tem acusações de corrupção?
Não é isso que importa. 
Ela não é casada??? AH DEVE SER POR ISSO QUE QUER F***R COM O BRASIL

Como sempre, a vida íntima de mulher sempre se sobrepõe às suas capacidades governamentais.

Percebam a mediocridade das pessoas: Querem reclamar da política no nosso país, mas não têm um pingo de decência em fazer uma discussão saudável, argumentar de forma embasada, sensata e válida, só reproduzem discurso de ódio e ataques pessoais. Se você não sabe falar sobre política de forma digna, não sabe fazer política de forma digna, então você não tem posição pra criticar a política do nosso país, pois você é o exato reflexo dela: MEDÍOCRE!

Nunca vou esquecer da foto da Dilma comemorando gol do Brasil usada como capa de uma revista, apontando uma "instabilidade emocional" da ex-presidenta... 

Homem bravo é sinal de dureza, de convicção, inexorabilidade,
Já mulher brava é descontrolada, não serve pra política.

Vamos rever isso aí, é machismo sim, e nem velado é, é escancarado mesmo!

Querem que sejamos primeiras-damas, nunca presidentes, pois essa é a nossa "posição adequada" e só assim seremos aclamadas pela mídia por nosso recatamento, não pela nossa bravura (suposta qualidade masculina) de enfrentar uma sociedade patriarcal para ocupar um cargo que 90% da população acredita que só serve pra homem.



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