domingo, 3 de dezembro de 2017

Imortais

 Somos como uma dança... com uma música instrumental composta por pianos e violinos e que começa suave no fundo... Olhamos um para o outro, como se estivéssemos vendo nossas almas inquietas através da matéria que forma nossa carne.
 A música logo se intensifica, causando um sentimento que consome nossos corpos e nos faz dançar descalços, inconsequentes, em um imenso palco sem plateia, sendo conduzidos por cada nota capaz de fazer nossos pés irrequietos se moverem de maneira que não podemos controlá-los...
 E então dançamos, incansáveis, a melodia da vida, do amor, da paixão, do medos, das incertezas, das sutilezas, dos desejos, das tristezas...
 Como dançamos bem juntos... como nossas batidas cardíacas elevadas se compassam com nossos passos ritmados... Não precisamos ensaiar, é como se ambos fossemos levados pela música contagiante, e ela nos atinge de uma maneira com que nossas danças se encaixam...
 Mas então eu me afasto, a música muda o tom, o que antes me deixava alegre agora não me faz mais dançar, e eu vou me afastando cada vez mais, tropeçando em meus próprios pés relutantes, tentando avidamente voltar dançando, para ti. Eu me perco, a música indistinta parece confusa para meus ouvidos ansiosos por um som que me oriente, eu não consigo mais dançar, não tenho forças para me levantar, as luzes se atenuam, não consigo mais lhe ver nitidamente, você ainda está aqui? Está dançando comigo?... Eu me sinto tão sozinha...
 E quando eu sinto que estou prestes a cair do palco, você me puxa de volta, guiando meu corpo lasso de volta para os nossos passos, para os nossos sonhos... Você carrega meu corpo tenro e me faz rodopiar, enquanto eu olho um imenso céu estrado sobre as nossas cabeças, pensando na possibilidade de que podemos ser feitos da mesma estrela... Você faz eu me sentir viva novamente, e eu volto a dançar, com ainda mais energia, com ainda mais paixão, eu sinto uma sensação tão forte me arrebatar que me faz querer dançar por toda a eternidade contigo, uma sensação que faz com que todo aquele peso lúgubre e dominante que me prende ao chão seja extorquido de mim... Você sempre me puxa de volta... Você sempre me mostra os passos novamente... E quando a chuva tempestuosa cai voraz sobre nossas cabeças, continuamos a dançar, imparáveis, como se nada pudesse nos impedir, como se enquanto dançarmos juntos, nada poderá nos atingir... Somos imortais. Nossos átomos perpetuarão nossa dança para todo o universo, eternamente.


0 comentários:

Postar um comentário