segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

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Sujei minhas mãos de tinta para que não fiquem sujas de sangue.
 Transformei minha dor em palavras escritas para não precisar chorar em meu travesseiro.
 Abri todas as janelas que encontrei pelo caminho esperando que o vento leve meu derradeiro.

 Plantei flores sem espinhos para ver se minha alma volta a florescer sem dor.
 Colori minhas madeixas emaranhadas para ver se minha essência também manifesta alguma cor.

 Acendi um incenso para não sentir o cheiro dos meus sonhos mofados.
 Enchi minhas paredes de quadros, meu quarto de flores e decorações coloridas,
 para não precisar contemplar nenhum vazio a não ser o de minhas pungentes feridas.

 Faço o que preciso fazer para sentir que existo.
 Escrevo, pinto, crio, coloro, planto, decoro... resisto.


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