quarta-feira, 14 de março de 2018

O Céu e os Desnorteados

Convivo com uma constante sensação de que estou me despedaçando ininterruptamente. Que perco fragmentos de mim que já fui, partes de mim que batalhei pra ser. Há buracos para preencher, buracos que um dia foram preenchidos. Sensações de que já fui melhor que isso. Sensações de que já pude ver mais cores, contar mais estrelas, apreciar mais as flores... Estou me perdendo aos poucos, caindo aos pedaços. Juntando os cacos e tentando colar com cola barata. Não sei para onde vou, e se souber, não sei se conseguirei chegar até lá aos pedaços. O saudosismo de uma jovem pela juventude. A insistência da inconstância em permanecer constante. A minha instável batalha para permanecer estável. As minhas forças quebradas para permanecer inteira. Às vezes olho-me no espelho e nem me reconheço mais, de tanto que já me perdi. Espero não perder minha visão, pois enquanto eu puder vislumbrar o brilho das estrelas, eu ainda saberei o meu lugar no universo. Que as estrelas orientem a minha alma errante...


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