sexta-feira, 4 de maio de 2018

Submersão

Na minha alma sempre chove
Então não preciso fugir da chuva gélida
Que banha minha carne exposta.

As águas escoam em minhas terras dérmicas 
Germinando em minhas ranhuras
Transbordando meus sulcos 
Fazendo brotar em meu solo mais inóspito as frágeis plântulas que me vislumbram.

Na minha alma sempre chove,
Chove a garoa que rega minhas dúvidas,
Aonde amadurecem os frutos da minha angústia.
Chove para que cresçam inteirezas,
Das plantas robustas e rudimentares,
Às flores mais suaves e delicadas,
A chuva se encarrega de suas distintas existências.

Na minha alma sempre chove,
Chove a tormenta que alimenta meu ser,
Sacia-me a sede de vida
E embriaga meus sentidos.
É na garoa que minhas flores crescem,
Mas é no vendaval em que minha essência afoita se pronuncia.

Aonde a chuva cai em mim,
Algo há de florescer. 
Mas enquanto não houver sol, 
A chuva que tanto me sustenta,
Também me afoga. 
Mas na minha alma sempre chove
Então, eu aprendi a nadar.

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